terça-feira, 29 de janeiro de 2013

'cause today is twenty-nine

Hoje é vinte e nove e como em alguns dos vinte e nove, eu faço de conta que nem me lembro. Não por querer esquecer, pois quem me conhece bem ou minimamente bem sabe que não me esqueço de datas, e se correr o risco de tal esquecimento as minhas contínuas anotações na agenda ajudam-me a não esquecer... ou a recordar.

Hoje é vinte e nove e por vários motivos eu recordo sempre o vinte e nove. E vou sempre recordar. Não importa que ele recorde o trinta. Eu recordo um e ele recorda outro, pensando bem juntos recordamos mais.

Hoje é vinte e nove e eu não quis fazer de conta que não me lembrei. Quis mostrar que me lembrei e quis fazer questão de ser lamechas.

Não o faço só porque sim. Faço-o por muitos motivos. Pois se recordar aquela tarde, aqueles momentos, aqueles olhares, se recordar isso me fizer ser lamechas, eu quero ser lamechas a vida toda. Recordar isso faz-me feliz, e eu quero ser feliz a vida toda.

Obrigada por mais um vinte e nove e obrigada por mais um trinta. Obrigada por não ficar perdido no tempo e obrigada por este texto, a recordar um vinte e nove passado, não ser fruto de mera recordação.

Não é só porque sim.
É só porque gosto um bocadinho de ti...


... e todos os dias vou gostar sempre mais um bocadinho!

sábado, 24 de março de 2012

Monologo da Caixa do Biquini

Esta manhã, abri um frasco de NIVEA Sun - spray solar factor 20, e senti de imediato aquele cheirinho a praia. E de repente dei por mim a viajar por todas as vezes na minha vida em que senti aquele cheiro, não a protector solar, mas a praia.

Sim para mim a praia nunca cheirou a mar, nem a água salgada, nem a algas secas sob a areia, nem a areia, nem a nada a não ser, protector solar, cacetinhos com fiambre e bongo. Este sim, sempre foi o cheiro da praia.

Continuando... para mim, fazia-se magia no meu quarto sempre que eu abria a caixinha do biquíni e sentia aquele imenso cheiro a praia. Pois, escrevi bem, a caixinha do biquíni.
Sempre tive uma gaveta das meias, uma gaveta dos soutiens (quando tive idade) e uma gaveta das cuecas, mas nunca, em parte alguma tive uma gaveta dos biquínis e fatos de banho. Nunca. Nunquinha.

Pois... o meu pai nunca foi dono de um stand, nem director do hotel xpto, nem gerente do banco abc, nem tão pouco do Banco de Portugal, nem funcionário público, nem o raio desses empregos todos amazings que permitem mais do que o ordenado mínimo ao fim do mês.
O meu pai sempre foi o humilde trabalhador por conta de outrem, das 9h às 5h, com o reles salário mínimo ao fim do mês. Mas sempre foi um super pai. Que no meu 7º ano me ofereceu uma CASIO cientifica, para as minhas aulas de físico-química, contra a vontade da minha mãe... e no meu 10º ano fez com que fosse a primeira lá da aldeia a ter um portátil, contra a vontade da minha mãe... e só ainda não me ofereceu um carro em 2ª ou 3ª ou 4ª mão, por causa da minha mãe ser CONTRA.

Bem, mas ainda assim, fui feliz com estas coisas todas, mesmo sem nunca ter tido uma gaveta de biquínis para cada verão, mas sim ter uma caixinha do biquíni, onde guardo religiosamente o mesmo biquíni de 2 ou 3 ou 4 Verões.
E na mesma caixinha, guardo também aquele mágico cheiro da praia. Só do protector, porque o cacetinho com fiambre e o pacote de bongo ficou algures lá longe no tempo.

Mas deixa saudade.